Mauro Bahia
A loura
super gostosa estava paquerando Jerobaldo escandalosamente, a ponto de roçar
suas coxas nas dele, aproveitando um pretexto idiota. E de inclinar-se em
frente àquele pobre analfabeto, deixando os seios inteiramente à mostra. E aí o
homem não se conteve: fez um sinal para ela, que lhe respondeu com um
afirmativo piscar de olhos. No instante seguinte, estavam se esfregando um no
outro, num recanto mais escuro da festa.
Foi
quando Jeroba acordou, com duas
ratazanas enormes se engalfinhando em cima de sua barriga, uma goteira vertendo
água do telhado diretamente no seu olho esquerdo, a mulher plena de sarnas e
falta de dentes gritando que ele ia perder o trem das cinco, a barriga doendo
de fome, a lembrança de que hoje fazia três meses de aluguel atrasado, a visão
de seu galo de campina morto estorricado na gaiola – e aquela poça d’água logo
em frente ao barraco, onde ele fatalmente cairia estatelado.
Mas de
onde levantaria no instante seguinte, ao rever aquela loura super bonita que,
como no sonho, lhe paquerava escandalosamente, a ponto de roçar suas coxas nas
dele, aproveitando um pretexto idiota. E de inclinar-se em frente àquele pobre
analfabeto, deixando os seios inteiramente à mostra. E aí o homem não se
conteve: fez um sinal para ela, que lhe respondeu com um afirmativo piscar de
olhos. No instante seguinte, estavam se esfregando um no outro, num recanto
mais escuro da rua, naquele fim de madrugada.
Desta
vez, Jerobaldo comeu-a, (TOCAM OS PRIMEIROS ACORDES DA QUINTA SINFONIA DE
BEETHOVEN) com ratazanas e tudo, com goteiras e tudo, com a mulher cheia de
sarnas e falta de dentes gritando-lhe que ele ia perder o trem das cinco e
tudo, com a barriga doendo de fome e tudo, com aluguel atrasado e tudo, com seu
galo de campina cheirando a podre e tudo, com aquela poça d’água que lhe
encharcara os ossos e tudo. Foi a
foda mais gloriosa de sua curta existência, uma existência de jerobaldo,
faminto e analfabeto.
Nesse dia, o país inteiro acordou eufórico.
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