sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Diário de uma viagem aos States


Mauro Bahia

1 de janeiro. Desembarco em New York, nome que os americanos escrevem igualzinho a nós. Logo percebo que produtos brasileiros, como a Coca Cola e a Pepsi, são muito conhecidos aqui. Por sinal, aquela rede nordestina de supermercados, a Walmart, também já chegou aos States. É uma das maiores.
2 de janeiro. Nós tivemos uma ditadura, mas eles é que pegaram gosto pela coisa. Ninguém precisa andar muito para ver os nomes de militares ilustres escritos em letras luminosas: General Electric, General Motors (este parece que anda encrencado), General Groceries... Até patentes menores são homenageadas: o tal de Major Sale, por exemplo, está em todas as lojas.
3 de janeiro. Incrível! Eles também têm happy hour. Designers são chamados de designers; computadores vêm com softwares, hardwares e wireless, como os nossos; quando vê que eu trouxe dinheiro vivo, o boy do hotel sugere que eu aplique numa offshore; na TV High Definition, a top model entra na franchise e come um Big Mac (merchandising, claro); passo na travel agency, que fica num business center, para remarcar meu ticket... Em resumo, eles falam português.
4 de janeiro. Não sabia que era assim, mas aqui há muitos fast foods, networks, call centers, shopping-centers... Engraçada, essa mania dos americanos colocarem nomes brasileiros nas suas coisas. Só pode ser Obama com inveja de Lula.
5 de janeiro. Ontem, andei pela cidade, observando os restaurantes delivery. Todos fazem entregas. Quando voltar, vou abrir um, mas não quero fazer entregas. Eles aqui nunca tiveram esta idéia: um delivery que não faz entregas. Com certeza, irão me copiar, no futuro.
6 de janeiro. No aeroporto, depois de algum tempo procurando, finalmente, encontro um WC. Foi um alívio, apesar do nome errado na porta: querem dizer “o homem” e escrevem “women”. Enquanto espero o avião, fico online, browsing no Facebook e em outros sites. Durante estes dias, senti-me em casa. Aqui é tudo igual ao Brasil, nem língua própria eles têm.




(Publicado na revista Nordeste Econômico, Ano 4, n. 18, janeiro de 2010)

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