Mauro Bahia
1 de janeiro.
Desembarco em New York ,
nome que os americanos escrevem igualzinho a nós. Logo percebo que produtos
brasileiros, como a Coca Cola e a Pepsi, são muito conhecidos aqui. Por sinal,
aquela rede nordestina de supermercados, a Walmart, também já chegou aos
States. É uma das maiores.
2 de janeiro. Nós
tivemos uma ditadura, mas eles é que pegaram gosto pela coisa. Ninguém precisa
andar muito para ver os nomes de militares ilustres escritos em letras
luminosas: General Electric, General Motors (este parece que anda encrencado),
General Groceries... Até patentes menores são homenageadas: o tal de Major
Sale, por exemplo, está em todas as lojas.
3 de janeiro.
Incrível! Eles também têm happy hour. Designers são chamados de designers;
computadores vêm com softwares, hardwares e wireless, como os nossos; quando vê
que eu trouxe dinheiro vivo, o boy do hotel sugere que eu aplique numa
offshore; na TV High Definition, a top model entra na franchise e come um Big
Mac (merchandising, claro); passo na travel agency, que fica num business
center, para remarcar meu ticket... Em resumo, eles falam português.
4 de janeiro. Não sabia
que era assim, mas aqui há muitos fast foods, networks, call centers,
shopping-centers... Engraçada, essa mania dos americanos colocarem nomes
brasileiros nas suas coisas. Só pode ser Obama com inveja de Lula.
5 de janeiro. Ontem,
andei pela cidade, observando os restaurantes delivery. Todos fazem entregas.
Quando voltar, vou abrir um, mas não quero fazer entregas. Eles aqui nunca
tiveram esta idéia: um delivery que não faz entregas. Com certeza, irão me
copiar, no futuro.
6 de janeiro. No
aeroporto, depois de algum tempo procurando, finalmente, encontro um WC. Foi um
alívio, apesar do nome errado na porta: querem dizer “o homem” e escrevem
“women”. Enquanto espero o avião, fico online, browsing no Facebook e em outros
sites. Durante estes dias, senti-me em casa. Aqui é tudo igual ao Brasil, nem língua
própria eles têm.
(Publicado na
revista Nordeste Econômico, Ano 4,
n. 18, janeiro de 2010)
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