segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Big Mac


Mauro Bahia


Até quando os eventos aqui narrados vieram a acontecer, Garibaldino Ostrósimo, um pequeno proprietário de imóveis urbanos em Bom Jesus da Lapa, Bahia, estava satisfeito da vida. Rico, não era. Mas arrecadava uns trocados com os aluguéis e ia levando a vida muito bem, sim, senhor. Seu maior patrimônio era uma casa de três andares onde, no último, ele morava. O prédio ganhara o apelido de Big Mac. Garibaldino ficava todo orgulhoso.

Mas o homem achou de alugar o primeiro piso para uma oficina de soldas. Soldas mesmo, de oxigênio, com foguinho e tudo. E com aquele cara vestindo a máscara protetora. Até aí, nada de mais, não fosse pelo fato de que o andar do meio já tinha sido ocupado por um comerciante de explosivos. Coisa besta, umas bombinhas de São João.

Quatro dias depois, o Zé da Solda começou a trabalhar. Era uma sexta-feira e Garibaldino estava deitado em sua rede, após o almoço. Ouviu um barulho muito grande, vindo de baixo.

– POOOMMM!!!

Foi carne com osso prá todo lado. De Garibaldino, o maior pedaço que se encontrou pesava 150 gramas. Um Big Mac.


(Gravatá, 05/ 09 /2000)

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